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O ano de 1922 não viu surgir apenas a Semana de Arte Moderna. Em Salvador, nascia o artista que representaria o povo, a cultura popular e a religiosidade baiana. Rubem Valentim era autodidata e começou a realizar pinturas na década de 1940, após trabalhar como pintor de parede. Tornou-se ainda escultor, gravador e professor. Em meados desta década, participou do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, ao lado de artistas como Mario Cravo Júnior, Carlos Bastos, Jenner Augusto e Lygia Sampaio.

Saiba mais sobre Rubem Valentim

Com a infância entre o candomblé e o catolicismo, era com o primeiro que Valentim mais se identificava. As percussões, os ritmos, as danças e as cores encantavam o artista. “Era como contos verdadeiros”. Tudo era demasiadamente misterioso e deslumbrante para o jovem que se tornaria um dos principais expoentes artísticos da Bahia, embora a aceitação inicial neste estado não tenha sido fácil. “Os marxistas não suportavam minhas formas ‘decadentes’”, dizia Rubem Valentim.

A difícil aceitação acontecia por causa das problematizações conceituais, metafísicas e filosóficas em suas obras. “Eu procurava a luz da luz, essa coisa mística, transcendental”, eram seus dizeres. Apesar da sua recusa íntima pelas correntes artísticas estrangeiras, a questão étnica de sua obra foi difundida e reconhecida em diferentes países. Além das salas especiais no Museu de Arte Moderna da Bahia e na Bienal de São Paulo, o legado de Rubem Valentim, falecido em 1991, está presente em Nuremberg (Alemanha), em Cuba e em outros países.

Veja o acervo Rubem Valentim no MAM-BA

Templos de Oxalá. Fotografia: Rômulo Fialdini

Templos de Oxalá. Fotografia: Rômulo Fialdini

Em 1983, o professor e artista plástico Juarez Paraíso, representando a Escola de Belas Artes e o reitor da UFBA Macêdo Costa, concede o título de doutor honoris causa a Rubem Valentim. Seus préstimos à cultura e à Bahia ajudaram os espectadores de sua obra a vislumbrar um estado que construiu e representou “com a sua sensibilidade, com a sua inteligência, com a sua intrepidez e conquistas pessoais”, nas palavras de Paraíso.

Entre 1957 e 1963, foi professor assistente de Carlos Cavalcanti no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro. No final da década de 1960, lecionou no Instituto de Artes da UnB. Com o prêmio no Salão Nacional de Arte Morderna (SNAM), viveu de 1963 a 1966 em Roma. Ainda em 1966, foi ao Senegal para o Festival Mundial de Artes Negras. De volta ao Brasil, produziu, em 1972, sua primeira obra pública, para o edifício da Novacap, em Brasília. No final desta década, tem uma de suas esculturas instaladas na Praça da Sé de São Paulo, descrevendo-a como o Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira. Mais atualmente, em 1998, o Museu de Arte da Moderna da Bahia cria a Sala Rubem Valentim.

Veja também:

Exposição Rubem Valentim, em 2011, no MAM-BA.