LAWRENCE GROSSBERG

Professor de Comunicação e Estudos Culturais da Universidade da Carolina do Norte (UNC) -Chapel Hill, EUA, ocupando a cátedra Morris Davis.

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O pesquisador estadunidense Lawrence Grossberg é referência central para as reflexões dos estudos culturais na contemporaneidade. Reconhecido internacionalmente pelas pesquisas sobre música popular e juventude nos EUA, seus trabalhos mais recentes concentram-se nas áreas econômicas e políticas, explorando as possibilidades e limites de formações alternativas de modernidades. Nascido no Brooklin, em Nova Iorque, graduou-se em história e filosofia pela Universidade de Rochester, em 1968. Apesar de comumente apontado como figura de relevo dos estudos culturais americanos, talvez pela sua nacionalidade, Grossberg tem sua trajetória associada ao Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS) de Birmingham, onde realizou seus estudos de pós-graduação ao lado de Richard Hoggart e Stuart Hall, no final dos anos 60.

Veja mais: entrevista com Grossberg no Facom News

Doutor na área Comunicação pela Universidade de Illinois (1976), Grossberg é editor da revista Cultural Studies (international journal) desde 1990. Possui uma vasta produção científica, que inclui mais de uma centena de artigos e ensaios e cerca de 25 livros, dentre os quaisIt’s a Sin: Essays on Postmodernism, Politics and Culture (Sydney: Power Publications, 1988), We Gotta Get Out of This Place: Popular conservatism and postmodern culture (New York and London: Routledge, 1992), Bringing it all Back Home: Essays on Cultural Studies (Durham: Duke University Press, 1997) e Caught in the crossfire: Kids, politics and America’s future (Boulder: Paradigm, 2005).

Pensador afinado com seu tempo, leva a cabo a original proposta dos estudos culturais ingleses ao sustentar a importância da reflexão acadêmica enquanto possibilidade de transformação social, sempre atento às questões contemporâneas, que passam pela economia, política e cultura e tensionam a própria abordagem reflexiva sobre elas. A equação parece simples, porém complexa: fazer com que o próprio mundo aponte as perguntas de interesse do campo acadêmico e que também sinalize em direção às respostas.

O reconhecimento internacional do autor começa nas décadas de 80 e 90, quando faz da cultura juvenil e do rock objetos legítimos de reflexão acadêmica. Em um dos trabalhos mais conhecidos no Brasil, Dancing In Spite of Myself: Essays on Popular Culture (1997), Grossberg já sinalizava sua principal inquietação: a questão dos estudos culturais não é a cultura em si, nem os modos de vida, mas as práticas culturais relacionadas a articulações com contextos distintos e constituídas enquanto política seja através do rock ou dos seus interesses atuais, deslocados para a área econômica.

Na publicação mais recente e mais arrebatadora, Cultural Studies in the Future Tense (2010), Grossberg reivindica especificidade para os estudos culturais, projeto que se autodefine de modo tão amplo e interdisciplinar. Ao assumir o risco da definição, lança-se numa instigante busca do que ele denomina de “coração dos estudos culturais”: a prática radical de contextualização. É convincente na análise do que entende por espaço-problema da contemporaneidade, as tensões e disputas que envolvem a modernidade, propondo possibilidades diversas de modernidades enquanto dimensão concreta e analítica. Partindo do argumento de que a euro-modernidade é uma realização histórica específica e localizada, o autor realiza uma ontologia do moderno, constituída por múltiplas configurações de temporalidades, espacialidades e diferenças.

Crítico das abordagens culturalistas da atualidade, o convidado da Compós 2013 defende o projeto dos estudos culturais enquanto uma análise conjuntural de articulações de contextos vividos em termos discursivos e materiais. O olhar atual de Lawrence Grossberg sobre seu próprio campo de investigação sintetiza o esforço de melhor compreender o presente a serviço do futuro. Daí porque o autor acredita que o discurso político da contemporaneidade começa pela disputa do caráter do moderno que ainda marca tão fortemente o tempo presente. Nesse contexto, os estudos culturais se colocariam como um caminho através do qual seria possível buscar, pelo exercício analítico, o que Raymond Williams chama de emergente, aquilo que articula possibilidades de transformação social.