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O conceito apresentado na identidade visual do 22º Encontro Anual da Compós dialoga com os signos da cultura afro-brasileira, materiais de extensa pesquisa do pintor e escultor baiano Rubem Valentim. Os signos, anteriormente exportados para o campo de arte, foram reorganizados também para a Comunicação.

deuses

Para o desenvolvimento da identidade, foram escolhidas duas divindades das religiões afro: Exu, deus da Comunicação, figura importante da cultura iorubá, que permite se chegar aos demais orixás e cumpre a função de mensageiro do mundo material e com o espiritual; e Ogum, aqui representado como deus da Tecnologia, protetor de todos os profissionais que lidam com ferro e metais, guerreiro implacável.

padrao

Cada orixá do Candomblé possui suas próprias simbologias e cores, utilizadas na identidade visual desta edição da Compós: Exu é representado pelo tridente e pelas cores vermelha e preta e Ogum, pela lança, com as cores azul e branca, bem como a vermelha e branca. Predominou-se a escolha do vermelho e azul, coincidentemente, as cores representadas na bandeira do Estado da Bahia.

As cores e ícones figuram na identidade visual de forma a constituir um padrão gráfico, utilizado à parte do logotipo, para estar presente em materiais específicos, como o background deste site ou na estampa de outros materiais gráficos. O logotipo tipográfico ganha forma em composição com este padrão.

Portanto, a tradição afro-brasileira, os orixás, a arte construtivista, as cores e a Bahia estão presentes na identidade visual da Compós em 2013.

Sobre Exu e Ogum

Em seu livro Candomblé: a panela do segredo, Pai Cido de Òsun Eyin assim define Exu e Ogum:

Exu é o primogênito do universo. Quando no mundo só havia água lamacenta, quando ainda não havia forma, surgiu um montículo de terra avermelhada, ao qual Olodumaré soprou a vida, dando origem a Iangui – Obà Babá Èsù (Exu Rei e Pai). Exu é a figura mais importante da cultura iorubá. Sem ele o mundo não faria sentido, pois só através de Exu é que se chega aos demais orixás e ao Deus supremo Olodumaré. Exu fala todas as línguas e permite a comunicação entre o orum e o aiê, entre os orixás e os homens.

Os lugares preferidos de Exu são as encruzilhadas e os mercados – como a Feira de São Joaquim, em Salvador, ou o Mercado de Madureira, no Rio de Janeiro, que lembram em muitos aspectos os mercados nigerianos. (p.80).

Ogum (Ògún) é o terrível guerreiro, violento e implacável, deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia [...] Ogum é, acima de tudo, o orixá do progresso, do avanço e da tecnologia. Aquele que saiu da imensidão das florestas, inventou a metalurgia e guiou o homem em direção à modernidade. É Ogum quem abre as picadas na mata, os caminhos, as ruas, as estradas. Ogum renova-se constantemente, ele atravessa os séculos trazendo o progresso. (p.88 e 92).

Sobre Ogum e a tecnologia:

Os Bantos conferiram um valor sagrado ao ferro. Como muitos outros povos, celebram a sua potência divina. Por toda a África e no Brasil, espalharam-se deuses metalúrgicos. O sagrado está presente em todos os instantes e em todas as instâncias da vida Banto [...].

Deuses mudam ou morrem. Ogum, por exemplo. Ele não é apenas o Deus do ferro, mas Deus da tecnologia. Daí, que hoje, na Nigéria, como no Brasil, seja visto como o Senhor das novas técnicas, do repertório high tech, da informática. Ogum é o orixá das vanguardas e dos computadores, e por conta de ter aberto uma picada em tempos míticos, ele é hoje o Deus das highways. Os orixás iorubanos estão vivos em nós. Daí que hoje não sejam somente iorubanos, mas mitos multinacionais.

Fonte:
Documentário produzido por Isa Grinspum Ferraz sobre a obra de Darcy Ribeiro – O Povo Brasileiro
Trecho narrado por Matheus Nachtergaele
Roteiro dos textos narrados: Isa Grinspum Ferraz, Marcos Pompéia e Antonio Risério.