A tarde começou com a apresentação da pesquisa “Crack na imprensa: imaginários e modos de representação do jornalismo sobre o surgimento e a explosão da droga em Belo Horizonte (MG, Brasil)” por Mozahir Bruck, da PUC-MG. O pesquisador expôs o relato preliminar da pesquisa com relação à cobertura sobre o comércio e o consumo do crack pelo jornal o Estado de Minas, onde observa as imagens que são construídas pelo jornalismo sobre o submundo do crack. A amostragem constitui-se de coleta e análise de notas, notícias e reportagens a respeito do crack veiculadas entre os anos de 1996 e 2011. Considera ainda que tais percepções, sedimentadas pelo discurso jornalístico, têm impacto sobre a sociedade que consome estes discursos e faz circular os relatos.

O trabalho aponta que o jornalismo tem uma ação pendular entre esclarecimento e reforço da imagem de superpoderes do crack, reforçando a ideia de invencibilidade. O artigo confirma o pressuposto de que as narrativas que substanciam a cobertura jornalística, muitas vezes, menos esclarecem e, por vezes, em tom emocional/alarmista, acabam por reforçar mitos e incompreensões a respeito desse grave problema social.

Sylvia Moretzsohn, da UFF, apresenta o artigo “Noticiar a dor: possibilidades e dificuldades do jornalismo na tragédia de Santa Maria” que aborda a necessidade e a dificuldade de se noticiar a dor, entendida como elemento constitutivo da própria atividade humana e, portanto, indissociável da cobertura jornalística. Discute a relação entre razão e emoção a partir de abordagens da filosofia, sociologia e neurobiologia e defende a emoção como um valor para o jornalismo. Indaga como tratar esse sentimento em sua densidade, fugindo do apelo ao sensacionalismo. Aplica a análise à tragédia de Santa Maria, onde mais de 230 pessoas morreram no incêndio da boate Kiss.

Avaliação do GT

Ao final dos trabalhos, os participantes se reuniram para prestar contas sobre a avaliação dos 45 textos submetidos, 35 individuais e 10 em coautoria, destes, somente 10 foram selecionados. A avaliação foi cega e com tabela de avaliação para os cinco pareceristas que leram todos os trabalhos para uma análise mais isenta. Um dos destaques é que a demanda qualificada do GT foi de 15 artigos, ou seja, ainda ficaram de fora cinco artigos com potencial para serem apresentados. Por fim, Tattiana Teixeira foi reconduzida à coordenação do GT e agora com Carlos Eduardo Franciscato na vice-coordenação.

Faça o download dos trabalhos aqui