Luiz Gonzaga Motta, da UNB, começou a manhã de trabalhos com a apresentação do seu artigo “Mediação + representação: matriz conceitual e operacional para análise dos conflitos de poder no jornalismo”, onde apresentou diagramas dos níveis e do fluxo de poder na narrativa jornalística, falou de vozes e narrativas no jornalismo político em debate, ou seja, da disputa pela voz e por pontos de vista. Motta afirmou ainda que a narrativa jornalística é considerada uma construção discursiva sutilmente negociada por veículo, profissionais e fontes. O pesquisador tratou também das relações de poder, autonomia relativa e protagonismo dos atores-narradores. A apresentação surtiu um debate de alto nível que durou toda a primeira parte da manhã.

Em seguida, foi apresentado o artigo “Jornalismo e memória: 40 anos de capas políticas de Veja”, que mostrou a pesquisa de doutorado de Renné França, da UFMG, sobre o resultado de sua tese. Ele analisou as capas políticas de Veja onde, através da semiótica visual e da análise do discurso, buscou compreender os significados embutidos nas capas ao longo de 40 anos e caracterizar a memória conferida a partir da forma como os acontecimentos foram representados entre os anos de 1968 e 2008, com recortes que levaram ao escopo de 114 revistas. A relatora, Laura Storch, destacou que a memória é fundamental para a legitimação do próprio discurso jornalístico, uma vez que ele diz o que se deve saber e, de certa forma, o que se deve lembrar.

Ao apresentar o artigo “O leitor imaginado como categoria conceitual para pensar o jornalismo de revista”, Storch relacionou o jornalismo e o leitor, uma figura conceitual para pensar a produção jornalística e os diferentes atores que fazem parte do processo de formação de sentidos, reconhecendo os discursos em circulação no jornalismo de revista. Para identificar as marcas desse leitor, a autora trabalhou em três dimensões: a institucional, a publicitária e a editorial. Mozahir Bruck destacou em seu relato o estudo do interacionismo, pouco analisado nos dias de hoje, embora tenha criticado o pouco empenho de propor o ‘leitor imaginado’ como categoria de análise do jornalismo de revista.

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