Os trabalhos no GT Epistemologia da Comunicação foram encerrados na tarde desta quinta-feira, 06, com duas apresentações. Na primeira, Julio César Lemes de Castro (USP) relatou como aplica a Teoria dos Discursos de Jacques Lacan para entender fenômenos de fora da Psicanálise. Em seu trabalho, “Questões epistemológicas em torno do uso da teoria lacaniana dos discursos na área de comunicação”, ele demonstra alguns exemplos de leitura de fenômenos midiáticos com base num discurso específico ou na matriz construída pelos cinco discursos elencados por Lacan: discursos do senhor, da universidade, da histeria, do analista e do capitalismo.

O pesquisador faz algumas reflexões sobre o uso da teoria dos discursos em comunicação, em termos de epistemologia, mas adianta que se trata de uma reflexão embrionária porque a teoria lacaniana traz várias possibilidades a serem exploradas na Teoria da Comunicação. “À teoria dos discursos posso aproximar uma série de fenômenos e teorias chegando a alguns usos e resultados”, afirma, completando que tem trabalhado com análises de produtos publicitários.

Em seguida, Potiguara Mendes da Silveira Júnior (UFJF) apresentou o trabalho “O revirão e o ciborgue: teoria da comunicação e psicanálise”, em que discute, a partir da teoria psicanalítica da comunicação, o Manifesto Ciborgue, de Donna Haraway, escrito entre 1983 e 1991, em que a autora se utiliza da imagem do ciborgue para indicar a diluição de fronteiras entre o “humano e o animal”, o “animal-humano (organismo) e a máquina” e o “físico e o não-físico”.

Sobre o debate recorrente acerca da utilização de teorias de outros campos, o autor critica as pesquisas que se dizem empíricas e que se focam apenas na descrição dos fenômenos de comunicação. Ele finaliza reforçando que fala de dissolução de fronteiras sem necessariamente destronar outras teorias.

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