O professor Ciro Marcondes Filho (USP) iniciou o segundo e último dia do GT de Epistemologias da Comunicação, nesta quinta-feira, 6, com a apresentação do artigo “Um autômato espiritual pode ser forçado a pensar reflexões sobre a capacidade de avaliar os efeitos da comunicação no outro”. Pensadores como Muniz Sodré, José Luiz Braga, André Lemos, Lucrécia D´Alessio, relatora do texto, entre outros, estiveram presentes no GT.

O pesquisador propõe-se a pensar a capacidade de apreensão do acontecimento comunicacional distribuído a partir de diferentes formas e veículos de comunicação. “Comunicar é um processo que nos força a pensar, isso sintetiza um pouco o que considero comunicação. Ela mexe com a gente, nos tira da tranqüilidade, da regularidade. Para haver comunicação, é preciso que haja alteridade”, argumenta.

O autor teoriza a sistemática do processo comunicacional e retrata a autonomia da formulação do método no processo da pesquisa. “O desafio do método é o movimento. Tudo é instável, movente, provisório. Nós trabalhamos com um acontecimento que se constrói na própria pesquisa. Nós, pesquisadores, somos objeto do objeto. Comunicação é essencialmente um fato estético”, defende.

Jairo Ferreira e Rafael Hiller (Unisinos) apresentaram “Pierce e Hegel: possíveis convergências e tensões com a dialética marxiana”, artigo que aproxima duas perspectivas teóricas, semiótica e sócio-antropologia. Nesse sentido, citam que, para Hegel, a linguagem condensada é o motor da história, o que é invertido por Marx, que afirma ser a ação o motor da história. Com isso, o signo seria a base, o pressuposto da ação. “Não há ação sem signo, o signo é a infraestrutura”, acredita Jairo Ferreira.

O texto foi relatado pelo pesquisador Francisco José Paoliello (UFJF). Ele considerou positiva a recuperação da questão sígnica, em detrimento da comum abordagem simbólica da comunicação, e a superação do idealismo, abordando a ênfase de Pierce em relação ao empírico, à “experiência vivida como geradora da pesquisa, do novo conhecimento”, além da necessidade de que as hipóteses se confrontem com o real.

O artigo “Do paradigma ao cosmograma: sete contribuições da teoria ator-rede para a pesquisa em Comunicação” foi apresentado logo em seguida pelos pesquisadores André Lemos e André Holanda. Foram apresentados os principais conceitos da teoria, a exemplo dos actantes, uma rede heterogênea de elementos atuantes, sendo eles humanos ou não-humanos; e mediação, o processo que operacionaliza a ação. “Ator-rede é uma coisa que não pode ser separada, a rede se confunde com o ator. A metodologia interfere e colabora na ação”, explica Holanda.

As sete contribuições da TAR foram elencadas pelos autores, entre elas estão a purificação dos fatos, o reposicionamento do entendimento sobre a mediação, o discurso midiático como uma rede de proposições (actantes), o papel do analista como cartógrafo de redes mobilizadas e a revelação da complexidade das “caixas pretas”. O texto foi relatado por Eduardo Yugi Yamamoto (UERJ). No trabalho, os autores relacionam a teoria no campo de pesquisa do jornalismo. “Livres da purificação podemos transitar com facilidade e dialogar com campos de saber, outras disciplinas científicas, sem perder a autonomia. A mídia se transforma, trai, se é intermediária, é nula. Precisamos fazer funcionar essas duas modalidades de maneira crítica”, retrata.

André Lemos critica a presença isolada do indivíduo como sujeito das associações sociais no pensamento acadêmico, explica a fundamentação de “rede” e o desafio da teoria. “É incrível como a área pode desenvolver todo um pensamento em que os objetos estão excluídos. A rede é o que configura as associações. Abertura da caixa preta não é purificar, é soltar os híbridos e esse é um movimento muito difícil”, avalia.

O download dos artigos pode ser feito aqui.