No período da manhã do segundo dia, o GT de política cobriu diferentes temas, mas centrou-se  na questão da disponibilidade e na circulação de discursos públicos na esfera pública, especialmente considerando a importância do jornalismo em tal processo.

Inicialmente, o texto de Danila Cal e Regiane Garcêz tocou a questão espinhosa da liberdade de expressão na internet. As autoras não defendem a total liberdade de expressão em quaisquer meios, mas baseadas nas teorias do reconhecimento buscam avaliar se há “ganhos” quando existem deslizes morais, principalmente na expressão de formas de preconceito. As autoras argumentam que mesmo havendo a chance de reforço de posições preconceituosas, quando tais posicionamentos ganham visibilidade, elas podem ser enfrentadas pelo debate público, no qual indivíduos e grupos coletivos podem argumentar e tentar demonstrar a fraqueza argumentativa de tais posições.

Em segundo lugar, Edna Miola e Rousiley Maia mantêm a análise sobre discussões públicas, mas dessa vez em torno da criação da Empresa Brasil de Comunicação. As autoras baseadas na ideia de democracia deliberativa e de sistema deliberativo realizam uma análise sistêmica, que visa analisar os argumentos e atores envolvidos em diferentes arenas discursivas, em especial do parlamento e dos meios noticiosos de massa. A análise visa demonstrar o embricamento entre as diferentes arenas e demonstrar como a discussão sobre uma lei pode ser prejudicada por sua apresentação como Medida Provisória (o que significa uma votação mais rápida e menos deliberativa).

Por fim, o texto de Solano Nascimento analisa o foco da imprensa brasileira em denúncias através de uma pesquisa longitudinal que verifica duas décadas  após a redemocratização do Brasil. O corpus escolhido são as três  maiores revistas semanais do país:  Época, IstoÉ  e  Veja.  A conclusão é que o número médio de reportagens com denúncias praticamente triplicou  a partir de 2002 na comparação com o período que vai de 1989 a 1998. Isso evidencia um papel do jornalismo brasileiro como cão de guarda em relação ao campo político formal.

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