O GT Comunicação e Cultura encerrou seus trabalhos em mais uma edição do Compós deixando um saldo bacana de memórias, mediações e afetividades, socializadas por seus participantes tanto nos espaços teóricos de debate como nas relações instituídas ao longo desse breve período de tempo.
Nesta tarde, dois papers foram apresentados. O primeiro, Israel: nova história e cinema pós sionista, de Sheila Schvarzman, discorreu sobre o trabalho do diretor israelense Eyal Sivan de recuperação da memória e história palestina através da coleta de depoimentos tanto de vítimas palestinas como de israelenses combatentes. Segundo Schvarzman, o filme suscita, dentre outras questões, a possibilidade de repensar a estética do documentário, na medida em que ouvir a versão histórica do ponto de vista do perpetrador, de quem logrou êxito na guerra, aufere ao texto multiplicidade de registros e destitui a obra de apelos sentimentais, recurso tão recorrente em produções deste gênero.
O trabalho de Roberto Tietzmann e Miriam de Souza Rossini concentrou-se na análise do audiovisual de acontecimento contemporâneo, a popularização dos vídeos virais e a reprodução em massa de cópias dos que logram sucesso de audiência em meios como Youtube.  “Achei sempre intrigante o fato das pessoas quererem aparecer atrás da câmera. Não importa o país, sempre vai haver alguém atrás do jornalista acenando para a câmera. Mostrar-se é algo que faz parte de uma sociedade que se constitui em torno do indivíduo”, afirma Miriam Rossini.  E é a estética deste tipo de audiovisual, copiada, (re)encenada e subida em massa por usuários de redes sociais que tem justamente mobilizado o esforço de pesquisa dos autores em questão. Segundo eles, é possível encontrar mais de 50 mil versões de um mesmo vídeo nessas plataformas sociais online.
Em seguida, passou-se para avaliação técnica do GT em 2013. Uma das questões salientadas durante o encontro foi a importância deste espaço para ampliação do debate na área, bem como o trabalho de alta qualidade dos relatores, somente possível devido à disponibilidade prévia de seus agentes em debruçar-se sobre os textos e trazerem para estes dois dias um debate ímpar e altamente qualificado. Nesse processo, fica evidente a importância do trabalho contínuo e processual empreendido pelo Compós ao longo desses 22 anos de existência.