Neste segundo dia de intenso trabalho colaborativo voltado para análise dos textos do GT Cultura, temas como memória, vínculo, juventude, acontecimento, corpo e brevidade mostraram-se recorrentes.

Allysson Viana Martins (UFBA) apresentou sua pesquisa sobre a reconstrução da memória do 11 de setembro, dez anos após o ocorrido, feitas pelos sites dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, The Guardian e The New York Times. Suas conclusões apontam para uma tendência de embotamento da memória na produção jornalística via meios digitais, que apresenta-se “de modo automático, algorítmico, pouco eficiente ou inovador”, segundo o autor.

Mônica Rebecca Ferrari Nunes (ESPM) apresentou ao grupo um novo cenário de recriação mítica da juventude urbana: as vivências dos cosplayers – jovens que se vestem e atuam como personagens de narrativas midiáticas, prática surgida no Japão e que se difundiu no globo, ganhando no Brasil contornos próprios. A pesquisadora traz relatos interessantíssimos de parte dos 100 jovens ouvidos até então, que encarnam desde personagens como Mario Bros, Lady Gaga a Tyrannosaurus Rex, passando pelos seres míticos amplamente difundidos nos games e na grande mídia. Nesta nova cena, questionamentos /reflexões inevitavelmente brotaram acerca de temas como consumo, texto e corporidades, texto e produção de memória, reconfiguração dos flash mobs, jovem enquanto categoria profundamente heterogênea, o sentido de carnavalização em Bakhtin, enfraquecimento de identidades essenciais, dentre outros.

Encerrando as discussões do período, Mauricio Ribeiro da Silva (PUC-SP) apresentou texto dele em parceria com Norval Baitello Junior (PUC-SP), onde problematiza sobre a condição do vínculo na contemporaneidade. Para os autores, os aparelhos que integram o nosso cotidiano, como câmeras fotográficas e celulares, tendem a se tornar cada vez mais lúdicos e autônomos, destituindo os indivíduos do lugar de questionar seus processos vividos, o que estabeleceria novas formas de vínculos (hipnógenos) no tempo atual.
Tal dinâmica decorre das relações travadas pelos indivíduos no processo de consumo das chamadas imagens técnicas, fenômeno próprio da Mediosfera. A manhã ficou curta para a qualidade e intensidade dos debates imprimidos, que certamente irão reverberar nesta tarde de fechamento dos trabalhos do grupo.
Acesse os textos trabalhados nestes dois dias.